Wistoria: Wand and Sword retorna com começo explosivo, mas acelera rápido demais na 2ª temporada

 

Os dois primeiros episódios da 2ª temporada de Wistoria: Wand and Sword já deixam claro que o anime voltou sem intenção de perder tempo. A estreia funciona como reintrodução do elenco e do cenário, enquanto o segundo episódio joga a história direto em uma crise de grandes proporções. O resultado é empolgante, visualmente forte em vários momentos e cheio de impacto, mas também levanta algumas dúvidas sobre ritmo e construção emocional.

Essa volta da série passa uma sensação bem clara: Wistoria quer crescer rápido, aumentar a escala do conflito e jogar Will em uma situação cada vez mais desesperadora. O primeiro episódio ainda segue aquele caminho mais esperado de início de temporada, recapitulando personagens, reorganizando o tabuleiro e dando ao público uma noção do que vem pela frente. Mesmo assim, ele consegue ser satisfatório porque não fica só no automático. Ainda há espaço para trabalhar os personagens e até inserir comentários sociais no meio dessa preparação toda.

Já o segundo episódio muda completamente de marcha. Aí não existe mais aquecimento. Ringard Academy entra em sua maior crise até aqui, com o ataque dos vilões Marze e Headless e a queda da barreira que deveria manter tudo sob controle. A partir desse ponto, o anime mergulha em ação pura, caos e destruição, colocando Will diante dos inimigos mais perigosos e impressionantes que ele já enfrentou.

Uma volta que prende, mas vai rápido demais

O ponto mais fácil de perceber nesses episódios é o quanto a série acelera. E isso tem dois lados. Por um lado, é empolgante ver que a temporada volta com tanta energia e sem medo de mexer de verdade no status quo. Por outro, fica a sensação de que um evento tão grande talvez merecesse um pouco mais de preparação antes de explodir desse jeito.

Normalmente, um ataque à base principal dos heróis costuma ser tratado como o grande clímax de um arco importante, aquele momento em que tudo muda e nada volta a ser como antes. Aqui, em Wistoria, isso acontece muito cedo. A série ainda está saindo do começo da nova fase, e os personagens mal tiveram tempo de respirar depois do conflito pesado que enfrentaram nas dungeons abaixo da academia. Alguns momentos emocionais até funcionam, mas poderiam ter batido com muito mais força se o anime tivesse dado mais um ou dois episódios para os personagens voltarem ao normal antes de quebrar tudo outra vez.

Espetáculo continua sendo a alma da série

Ao mesmo tempo, essa crítica também não destrói o que há de mais forte aqui. Wistoria sempre foi uma obra que coloca melodrama e espetáculo na frente de quase tudo, e dentro dessa lógica os episódios cumprem muito bem o papel deles. O segundo capítulo, principalmente, entrega uma escala muito divertida de acompanhar, com monstros à solta, a academia em colapso e uma sensação constante de urgência que segura a atenção do começo ao fim.

Quando a série acerta, ela realmente acerta em cheio. Há cortes de animação muito bons, momentos de impacto visual que lembram por que tanta gente se interessou pela obra e uma energia que faz esse caos parecer grande o bastante para justificar o pânico generalizado. É aquele tipo de episódio que, mesmo com tropeços, consegue te manter envolvido pela força do acontecimento.

A produção oscila bastante dentro do mesmo episódio

Mas nem tudo funciona com o mesmo nível de consistência. Um dos problemas mais visíveis nesses primeiros episódios é que a qualidade da animação oscila bastante. Existem cenas realmente fortes, mas elas convivem com atalhos visuais bem óbvios, daqueles que quebram um pouco a imersão quando aparecem ao lado de momentos muito melhor resolvidos.

Dá para notar vários quadros estáticos sobre fundos em movimento, figurantes com pouco detalhe e até alguns cortes em que a montagem atrapalha a leitura do que exatamente está acontecendo e com quem. Isso pesa mais do que deveria porque estamos falando justamente de um episódio que depende de caos, desastre e impacto dramático. Quando a direção não consegue organizar bem esse tipo de cena, parte do peso emocional acaba passando rápido demais e sem se fixar como deveria.

Isso também afeta a memória do episódio. Tirando os momentos diretamente ligados ao núcleo principal, muita coisa grande acontece, mas nem tudo realmente fica marcado. Existe barulho, existe destruição, existe urgência, mas nem sempre existe clareza o bastante para transformar tudo isso em cenas realmente memoráveis.

Will continua sendo o centro emocional da história

Se tem algo que continua funcionando bem, é o material envolvendo Will e seu grupo. A série ainda sabe usar o protagonista como centro emocional da narrativa, e isso fica ainda mais evidente quando o episódio chega em seus momentos finais. O ataque a Ringard claramente não serve apenas para criar ação. Ele está ali para destruir a pouca segurança emocional que Will ainda tinha, especialmente depois do fracasso humilhante que ele já havia enfrentado nos exames.

Dentro disso, a cena envolvendo Rosti funciona bem pelo modo como o anime trabalha o choque de Will. Talvez não seja um acontecimento surpreendente no sentido mais puro da palavra, mas a reação dele convence. A combinação de animação e atuação de voz ajuda a vender o peso do momento, e isso é o bastante para fazer a cena funcionar, mesmo que o espectador já desconfiasse do caminho que ela seguiria.

A grande dúvida em torno de Rosti continua no ar

Aqui entra também uma das partes mais curiosas dessa estreia: a situação de Rosti. Existe uma leitura muito forte de que o personagem não seja exatamente o que parece. As pistas acumuladas desde a temporada anterior fazem soar bastante plausível a ideia de que ele seja, na verdade, uma projeção ou uma espécie de duplicata mágica controlada por Elfaria. A conexão com magia de gelo, o próprio nome e até a forma como ele desaparece em partículas brilhantes reforçam muito essa impressão.

Isso não diminui totalmente o efeito dramático da cena, porque a dor de Will continua verdadeira. Mesmo que Rosti não seja uma perda definitiva da forma como ele imagina, o impacto emocional naquele momento ainda funciona. E, sinceramente, se essa teoria se confirmar, ela pode até tornar Elfaria uma presença mais interessante e mais concreta dentro do cotidiano da aventura.

Claro, ainda existe a possibilidade de a série querer seguir outro caminho e expandir Rosti de forma mais direta, com algum passado mais complexo ou uma revelação diferente. Mas, pelo que foi mostrado até aqui, a leitura mais provável continua sendo essa ligação com Elfaria. Agora resta ver como a temporada vai desenvolver isso.

Um retorno forte, mas com sinais de instabilidade

No fim das contas, os episódios 1 e 2 da 2ª temporada de Wistoria: Wand and Sword entregam exatamente aquilo que muita gente esperava da série: emoção alta, ação intensa, drama exagerado e uma clara vontade de crescer em escala. Ao mesmo tempo, eles também mostram que essa ambição vem acompanhada de alguns riscos, principalmente no ritmo acelerado demais e na irregularidade visual em partes importantes.

Ainda assim, o começo é forte o bastante para manter a expectativa viva. A série volta em alta rotação, coloca Will em uma situação emocionalmente brutal e deixa claro que quer fazer dessa temporada uma fase de ruptura real. Agora a questão é saber se ela vai conseguir sustentar esse peso sem atropelar demais seus próprios momentos. Se conseguir equilibrar melhor esse impulso, a temporada tem tudo para crescer bastante daqui para frente.

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